Sabotamos nosso futuro?

ship at the sea
Conrad disse que não há nada mais misterioso que o mar do desconhecido diante dos olhos dum marinheiro, porém o desconhecido só é instigante na medida em que de algum modo mostra-se não apenas profundo, mas desejado… Qual, no entanto, é o mistério ansiado pela vida ociosa duma juventude passada em quartos fechados, ninhos da melancolia e do conforto inerte da modernidade?
Enxergo milhões, quiçá centenas de milhões de historias absolutamente perdidas, não pela morte, mas pela continuidade desdenhosa da vida transcorrida em dias diametralmente iguais, povoados somente pela redoma da covardia perpetrada em corações jovens pelo luxo do mundo facil e, em certa medida, pela campânula dura colocada á volta por aqueles que á estes protegem, uma mistura de regras bobas, receios, fobias repetidas á exaustão e uma abundancia de prazeres ganhos gratuitamente, ofuscando assim a luz que guiaria espíritos juvenis por aventuras as quais tornariam-se a escada para voos independentes e maiores e que muito mais tarde, na velhice, formariam um firme e rechonchudo colchão de lembranças para se reconfortar.
Desse modo inerme passam-se os anos quase em preto e branco com leves espasmos de cores belas, vivendo sob uma chuva sempre insuficiente para fazer brotar a semente prometida duma vida cheia de frutos, mas antes sufocada e morta.

 (Um delato de si a si mesmo.)

© 2017 – Marcelo J. A. jr.

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