O Amor no Âmago do Ser

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 O desejo no âmago do meu ser, incontrolável explode numa noite de verão, onde a brisa fria da praia somada ao doce sabor alcóolico do vinho e a sua pele suada e quente tomavam conta dos meus sentidos.
Nada naquele instante seria mais sublime do que a soma de nossas mentes, corações e corpos em atingirem o êxtase insuflável do prazer. Prolongamos ao máximo o incontrolável gozo, luta banal. Exortação perfeita ás delicias da carne sem dúvidas, mas não se tratava somente disto, a persistência daquele instante para além de nossos corpos suados e cansados, desde então emanava como uma fragrância constante, notada porém não inteligida. Foideste modo, deitado e extasiado enquanto suas mãos acariciavam-me o rosto e seu sorriso ganhava-me uma vez mais, que alcancei, como num satori, a felicidade sublime. Entendi por fim, que a soma do sexo que fizemos e do amor que sentíamos acabara por formar o alinhamento único entre as duas vertentes que constituem um Ser: o brutal e primitivo prazer que nos impingira de assalto adveio da carne, nossa segunda substancia, corruptível e que nos draga em infinita imaginação guiada e guiadora de nossos sentidos, no entanto, o “doar-se” era qualidade do espirito, o amor transcrito em ação, que fora desenhado  para a eternidade nas linhas do tempo através de nossos corpos e corações.
Foi assim que vi meu desejo de possuir e minha natureza de amar somados num só instante. Mutação imanente de meu ser criada desde fora pela tua presença e que de tão forte, só pudera ter sido impulsionada pelo despertar daquilo que sempre residiu em mim enquanto homem, pois mais poderoso que tivesse sido forjada no tempo, era esta uma finalidade a qual portei desde a eternidade em minha natureza e só você, com estas curvas duma Afrodite e estes cálidos olhos risonhos, tinha a chave para tal caminho, chave esta que tão bem usaste para se alojar em meu peito d’uma vez por fim.
Transcendemos ali, ainda inermes sobre aquele lençol, cuja maciez ou cores eu já não me recordo, mas cujo delicioso cheiro impregnado de teu suor não me foge jamais.


Não havia nenhuma razão para dar termino aquele momento, literalmente nenhuma neste parco mundo onde tudo houvera se perdido naquela singularidade; e assim ficamos, repousando ali mesmo enquanto eu te observava deitada e de cabelos ainda molhados, todas as tuas curvas, a tua pele macia, teu cheiro delicioso e os teus olhos me encarando, me encaravam como se risonhamente entendessem tudo, tudo isso que eu até então sequer tornara palavra.

 

 

 

 

© 2017 – Marcelo Jatobá de Araújo Jr.

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