Física e Realidade e mais Alguma Coisa

Gato Alyce Schrodinger

Talvez o maior de todos os engodos do intelecto moderno seja aquele no qual os físicos tenham caído. Esta cilada intelectual é a de, uma vez tateando o fundo falso de um poço, ganhar uma extensa compreensão da realidade material e apartir disso tirar aconclusão de que estamos enxergando o próprio limite da verdade. Um homem que pode medir partículas subatômicas e suas variáveis, com isso mede a ponta alta e fina do Iceberg que é esta coisa chamada realidade, a qual nãoapenas está a nossa frente, mas antes nos abarca, nos gera e igualmente é genitora e mantenedora de todas as leis que dominam a própria matéria. Leis estas que nem mesmo sabemos do que são constituídas, de onde vieram ou o porquê de manterem-se sempre as mesmas. A mecanica quântica e outras derivações modernas da física — como a teoria das cordas — de fato tentam, mas quando os raciocinio que visam compreender os primordios da realidade são derivados a partir de uma filosofia ou visão de mundo cujo pano de fundo é o materialismo, todo o trabalho já começa “castrado” desde o principio, suas ideias são incapazes de reproduzir-se em algo de valor verdadeiro sobrando apenas o abstracionismo, sim, a gravidez psicologica dos físicos que juram gestar uma “teoria de tudo” e vivem de criar modelos absolutos sem compreenderem, no entanto, que isto é uma impossibilidade lógica.

Voltemos ao iceberg, pois este que me referi representa a natureza grandiosa e obscura, cujas profundezas a tal luz do intelecto possivelmente jamais alcançará (ao menos do modo em que limitamos hoje o conceito de mente), pois seus segredos mais ditosos são provavelmente realidades apenas experimentáveis e não compreensíveis, observáveis porém não classificáveis, uma vez que nossa razão – no sentido mais moderno da palavra – só enxerga dentro do “reino da quantidade”* e não no da totalidade já que nossa própria mente é, ela própria, uma miríade de partes que só podem intuir o Todo e jamais apreende-lo por completo. Sim, somos escravos do tempo e se como disse St. Thomas de Aquino “veritas filia temporis” a Verdade total, portanto, repousa na totalidade deste e não em cada uma de suas partes, estes instantes onde nossa consciência raciocina. Tais instantes (os físicos chamariam de unidade imaginaria de Planck no tempo, mas isso é apenas a sua medição e não a coisa em si) contêm sim – penso eu – os fractais diminutos da totalidade e, portanto, de suas verdades; mas são intangíveis, não apenas fisicamente, mas ontologicamente, pois são reflexos da própria Alma do universo, e embora contenham a Essência mais primordial deste, esta só se tornaria clara à consciência que desenrolando-se nos instantes do tempo (como qualquer um de nós) excepcionalmente abrisse-se Àquilo que o abarca. Mas isso é para pouquíssimos se é que de fato é para alguém, entretanto, pergunto: e não são seriam estas consciencias aquelas que enxergam além de suas vidas a prorpia essência dos planos do “Destino”? Não seria essa a classificação onde um São João apostolo, um Sidartha Gauthama ou um S. Padre Pio entrariam? Não me confunda com um Perenialista (embora se eu lê-se isso suspeitaria) não sei quem de fato deu tais saltos metafísicos e honestaente não acho que uma consciencia no sentido humano do termo (o unuico que de fato experienciamos) possa de fato experienciar a “Essência Universal” ainda em vida material, muito embora possa sim ter lapsos desta totalidade, e quem duvidaria que São João Apostolo em sua escatologia maxima, ou S. Padre Pio em seus milagres praticos não tiveram algum contato com o “sentindo da história” e de tudo o que é abarcado em seu decorrer. Como isso se conecta ao que falava de física no inicio? calma.

Se alguém cogita imaginar que o que falo aqui é poesia e não tão concreto quanto a própria física que estudam, pode ter certeza que este não entendeu do que falo, ainda que compreenda as palavras aqui escritas e suas construções frasais. Talvez o problema esteja no fato de que os conceitos que deram origem e que balizam a física hoje, parcamente habitam a mente dos que nela pensam. Algo que falo com tristeza: Os físicos (não todos, pois não incluiria alguém como Wolfgang Smith, Raphael de Paola ou David Bohm aqui) tornaram-se puramente técnicos, pois trabalham com coisas as quais buscam compreender apenas em termos de relações internas, mas jamais na origem ou nos processos criadores destas e, portanto, de nossa própria consciência sobre as mesmas; foram seduzidos por uma mentira primordial, e esta é a de que criamos a nossa própria língua, quando na verdade só criamos a língua desde o ponto onde – por qualquer graça incompreensível – surgimos, nascendo desde a linguagem do próprio Universo. As leis do mundo são muito mais antigas que a primeira consciência mundana a habita-lo e não existe nada que indique que esta poderia contê-lo por inteiro dentro de si, pelo contrario, a experiência e a lógica nos indicam sempre o inverso. Este que você acabou de ler é o ponto de conexão entre os limites da fisica e a essencia da religião, pois por esta razão deve-se admitir que não é na tal “inteligência”, um adendo do ser com o qual somos capazes de apreender as coisas, mas na propria “existencia” com a qual somos capazes de nos desfazer de nossas limitações, onde está a “camada do Ser” em que o absoluto pode ser experienciado.

Por tudo isso a verdade inenarrável diante do mundo moderno é a única verdade que perdura por todo ele: a de que um único Santo analfabeto compreende mais das origens do Cosmos do que um físico renomado que compreende tão profundamente as aparências superficiais de seu funcionamento material. Com a mente, esta maquina de codificação linguistica tanto das sensações físicas quanto das intuições implicitas (como a lógica e a matemática), somos capazes de jogar luz sobre as coisas, mas a nossa linguagem é apenas uma lingua dentro da lingua do cosmos, um pequeno logos inserido no Logos de fato, não à toa somos chamados de reflexo de Deus, capazes de criar imaginativamente tudo com a nossa mente, tal como Deus, com a sua, é capaz de criar coisas propriamente ditas no universo. Aquilo que “criamos”, no entanto, esta em essência condicionado ao que enquanto potencia está contido dentro deste Cosmos. Assim, a mente tem um limite por assim dizer “Real” para sua compreensão do mundo, tanto quanto um vaso pequeno (um vaso ontologico que tenhamos visto a venda numa loja qualquer) é incapaz de abarcar em si um vaso maior que, aliás, o contém. Só podemos entender codificações, ou se preferir aproximações de uma realidade primordial que nos dá origem, jamais abrangela e a única forma de participar da totalidade das coisas, deste modo, é desfazendo-se enquanto Ser físico individual e ser reintegrado no cosmos; uma experiencia, eu diria, somente possivel não na simples morte do corpo, mas tal integração no Cosmos, portanto no Logos, só é possivel quando a consciência que se esvai de seu corpo o faz enquanto sintonizada na mesma frequencia que este. “Frequência do Logos” O que isso significa? Algum produto de uma meditação Zen oriental? Algum Yoga quântico intergalatico? De modo algum! Estar em sintonia com o Logos significa estar em sintonia com a Verdade, pois se o homem é um microcosmos do Cosmos, só quando a mente está em acordo com este e não numa batalha contra a lógica, ou toda a intuição primordial que a constitui  —  e que portanto a abarca  —  ela poderá ser chamada de Uma com o Todo que a gerou. Naturalmente, não sendo apenas seres intelectuais, esta aceitação da verdade que começa em vida no ponto mais razo de nós mesmos que é a intelectualidade (você não pode ser santo, ou Lama se não aceitar que 2+2=4) deve tornar-se com o tempo a propria vivência da verdade através dos atos os quais são não apenas auto-revelados pelas religiões como os meios de elevação, mas observados nesta imensidão chamda de “experiencia humana” como sendo a via correta para o repouso da consciencia, do espirito, da alma, e estes atos invariavelmente aqueles classificados como os de amor e sacrificio pelos outros e de defesa da verdade mesmo com a propria vida.

“Epílogo”:

A ilusão do conhecimento é sem dúvidas a mais terrível e brutal de todas as mentiras, pois ela engloba o homem e todos os seus esforços – até a energia mais profunda de sua alma – em algo que se revela enfim uma mentira; não refiro-me aqui a compreensão de “mentira” que nos remete ao erro de cálculo, algo perfeitamente compreensível para nós, seres pequenos diante do universo, mas mentira naquele sentido em que esta se refere a uma negação obtusa, constante e, pior ainda, orgulhosa contra verdade que naturalmente nos humilha.

E não foi este o pecado que surgiu antes da primeira aurora?

  • Marcelo J. De A. Jr.

 

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