English Breakfast

the fighting Temeraire, William Turner

Tal como pode ser dito na fisica sobre qualquer grão de areia que contém em si toda a historia do universo, numa xícara-de-chá inglês encontramos, tudo o que representa a cultura britanica, desde a delicadeza do produto à grandiosidade do império que o tornou um bem global, desde a continuidade duma profunda reverência à  tradição até a constante inovação de suas vertentes e sabores.

O Reino Unido vive hoje, antes de tudo, não pelo rei ou rainha, mas pelo chá, pois inconstante como o imaginario de seus monarcas o são – os quais já foram catolicos, protestantes e hoje tendem cada vez mais ao new age e ao Islã – o chá inglês prossegue e prosseguirá sendo sempre ele, guardando em sua languida cor dourada o espectro de séculos de uma luz vindoura, uma luz que sustenta hoje a memoria e os filhos de um antigo império onde o Sol, com sua majestosa coroa, jamais se punha, e que agora batalha com fúria contra o lusco-fusco das sombras trazidas por uma lua crescente, a qual ameaça hoje seu absoluto ocaso atrvés do eclipse que se concretizado talvez permaneça por milênios sobre seus escombros.

A respota repousa no “chá” o qual, com seu calor e sabor, evoca na mente de cada Britânico a lembrança de uma bandeira e de uma história cristalizadas no tempo, construida a partir do sangue de 50 gerações que batalharam sob a égide da cruz de São Jorge (não ao acaso o maior dentre os santos guerreiros), tantas outras também sob a cruz de St. André, o primeiro a ser chamado para junto de nosso Senhor, ou ainda sob S. Patrício, patrono e desbravador religioso da Irlanda. A história Britânica, portanto, não está nas palavras dum monarca dos Tudor, ou Windsor, mas no leito rochoso duma cultura que deu forma à um espirito explorador e guerreiro, dotado de imensa fé e de auto-sacrificio (como seus santos patronos), o qual ecarnou-se no outrora jovem Reino através da espada e da fé de Etelstano (“a nobre rocha”) seu primeiro monarca e que prosseguiu, por exemplo, nas cruzadas através do católico Ricardo, Coração de Leão até os dias atuais, independente da política, ou monarca reinantes. Assim, a Grã-Bretanha necessita retornar à estas suas bravas origens culturais e religiosas caso queira prosseguir a habitar em carne, terra e sangue este conturbado reino —que só conquistamos na continua batalha diária— do “tempo contemporâneo” e, portanto, não passar a ser apenas mais um fantasma constituido de fragmentos de memórias e palavras perdidas nos livros de história, tal como abateu-se sobre Roma, após enfraquecida pelos cegos e cínicos traidores internos para ser invadida pelos bárbaros que uivavam aos portões.

Deixo-lhes enfim um excerto do grande poema de Lord Alfred Tennyson “Ulysses”, escrito no auge, mas tão bem aplicado aos dias atuais da grande nação:

“Embora muito esteja tomado, muito resta; e embora
Já não sejamos aquela força que nos velhos tempos
Moveu a terra e os céus, somos aquilo que somos —
Um disposição firme de corações heróicos,
Enfraquecidos pelo tempo e pelo fado, mas com forte vontade
De tentar, perseguir, encontrar e de jamais desistir.”

— Marcelo Jatobá de A. Jr.

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