Toque

Poesia

Me vi tomado pela sua silhueta mais uma vez; silhueta de carne, calor, suor, respiros, sentidos, desejos… e tu existia tanto em ti quanto em mim, todas as tuas impressões, teu cheiro, teu sabor; tuas formas em minhas mãos e o amor ao coração, éramos algo maior que aquilo, mas aquilo era o que tínhamos então .

Teus seios vultosos e teu cabelo em fogo; aos teus ombros os cachos se desfaziam; teus dedos ditosos, os quais em minha carne marcavam e se compraziam.

Os gemidos danosos; que aos meus ouvidos tomavam e me enlouqueciam; e os chacoalhares nervosos; que não cessavam e em minhas lembranças jamais se desfariam.

Transpassavamos a noite; o tempo revolto lá fora; e os instantes de açoite; da chuva que só veríamos após o passar das horas; pois ali estávamos, dominados na carne pelo instinto e pela paixão lasciva do coração; mas éramos de espirito só um; um que abarcava e transcendia a simples e vulgar paixão.

Unidos, algo de nós estava num plano superior àquele instante; apagando-nos nas linhas, redesenhando-nos na folha das horas; tudo seguia agora entre afagos de modo singelo e marcante.

Partilhamos tudo e drenamos tudo, toda a energia e a força numa serie de êxtases; frutos do sexo e do desejo, da complacência e do pudor; jogados fora por contra de um só ensejo; Catalisador do desejo; E combustível da encenação deste nosso amor.

– Marcelo Jatobá de A. Jr.

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