Nota: Sobre o Amor.

Por vezes, o amor descola-se de tal modo de nossa experiência diaria que sua vivência per si a eleva, dividindo nossa existência entre as horas diligentemente interligadas – nesta comunhão eterna de causa-e-efeito onde bate nosso coração de carne – e a perenialidade das almas, desde onde emana nossa essência escondida por detrás do véu do tempo. Deste modo, o amor une duas facetas do Ser em uma causalidade vertical que parece partir desde um toque, um cheiro, ou simplesmente um desejo profundo por aquilo que ainda não se tem – mas que se quer -, para então se aprofundar cada vez mais em nós ao ponto de atingir o eterno céu – desde onde emana a potência de tudo que é verdadeiramente bom – e então retornar ao pulsar de nosso sangue, movendo cada sorriso dos olhos, cada beijo de nossos lábios ou movimento de nossos corpos, no que é o produto de um entrelaçamento mistico entre o perene e o mundano, o eterno e o temporal, a alma e o coração… e tudo isso ocorre sem que tempo nenhum se transcorra entre o ato e a inspiração, pois assim é o movimento do espirito para a carne e desta para a alma.

Por isso o amor é o mais elevado de todos os sentimento e, em verdade, nem mesmo é um sentimento, mas antes uma condição de existência, afinal, não se existe verdadeiramente sem amar. O tal verbo, aliás, só “é” enquanto ato, somente assim ele faz-se signo com significado, pois “Amor” é a propria expressão da verdade no Ser, a qual, partido do reino das possibilidades, desvela-se no tempo histórico atraves de nós, inrrompendo suas barreiras e com isso elevando-nos deste ao reino eterno. Fazendo-se veiculo da ação de Deus ao escrever atos de entrega e de sacrificio (sinonimos) no tempo, o homem inscreve-os em sua alma e assim também o faz com seu nome no livro da vida, através das benevolentes mãos Divinas.

Admitindo-se que por amor Deus tenha feito o mundo, e sendo o homem Sua imagem e semelhança, é também através do amor que o homem deve construir sua passagem neste mundo, é somente assim que se constroi uma vida válida ao ser vivida.

  • Marcelo Jatobá de A. Jr.

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