Sol ­čç»­čçÁ


ÔÇťO sol se po╠âe e mais uma dia esvai-se.

O guerreiro embainha sua espada. A luz laranja refletindo em sua lâmina, enquanto a imensa bola-de-fogo afoga-se mar adentro para além da floresta e da praia, visíveis desde o alto do morro onde repousa seu templo. O vento do noroeste soprava leve, porém constante, marejando seus olhos.

Mais um dia sem adversa╠ürios, sem lutas, sem pratica verdadeira, mais um dia de preparac╠ža╠âo para o dia que nunca vem, de expectativas para o desafio que jamais chega, de desejos partidos de um corac╠ža╠âo faminto jamais saciado e de uma alma nunca expandida a╠ü todo o seu potencial.

Ele lembra de seus tenros anos, quando os mu╠üsculos eram mais rijos, e os cabelos mais negros e mais cheios. Agora ve╠é-se no espelho da sala das armas e comec╠ža a duvidar se era de fato tudo aquilo que julgava ser. A ferrugem, que jamais se po╠és sob sua ta╠âo bem cuidada espada, parecia depositar-se agora nas pregas de seu rosto, assim como em seus pensamentos, e parecia tambe╠üm espalhar-se mais a cada queda do sol, como que um medo ou uma escurida╠âo profunda, cada dia mais negra e mais abissal, na qual mergulhava o seu corac╠ža╠âo e suas certezas para acordarem cada dia silenciosamente mais mortas pela manha╠â.

Ele sabia que precisaria abandonar a calmaria e a constância de seu templo seguro e belo. Ele sempre soube que o desafio jamais lhe procuraria ali, mas ele continuou esperando, e prossegue morrendo aos poucos.

ÔÇö Marcelo Jatob├í de Ara├║jo J├║nior

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