O Mal de Nosso Tempo…

“O Desespero”, Edvard Munch (1882)

A destruição do Ser no nosso mundo angustiante concentra-se justamente em um profundo e artificial desvio de conduta que nos leva para a busca da eternidade dentro do limitado, da transcendência dentro da experiência puramente imanente, e da busca pela satisfação contínua de si com aquilo que é naturalmente insatisfatório.

Tudo isso reduz a inesgotável profundeza da experiência humana individual à rasa coleção de sensações e a sua busca fracassada, mas há o pior: nos dias atuais (a uns 100 anos) tenta-se dar a isso a ilusão de profundidade, uma ilusão que pode mostrar-se tão dolorosa e danosa para almas sedentas pela escassa verdade, quanto a miragem de um Oásis no deserto para aqueles que morrem de sede, condenando-os de uma vez por todas a aniquilação.

Na nossa sociedade, há a morte da alma, do coração, do desejo de vida, não é uma surpresa constatarmos ser a depressão a chamada “doença do século” e a melancolia o estado mental “favorito” da juventude , logo após — naturalmente — o de falsa euforia.

Diante desta observação singela que faço ocorre-me um clichê velho e modernizado, o qual, ainda assim, devo repetir: é que a cada dia que passa noto ser fácil encontrar grande satisfação e prazer em falar “não”ao mundo e um “sim” para a profundidade que habita em nós, o dom eterno que Deus nos concedeu. É, no entanto, imensamente difícil prática-lo: dizer um “não” a compulsão de redes sociais , de excitação pornografica, ou de videos interessantes e cômicos geridos por um algoritmo que sabe o que vou querer assistir, curtir, comentar. No fundo de nossas almas, entretanto, residem as razões para este “não” e elas não são menos que a salvação de nossas consciências, corações e – certamente – de nossas almas diante da angústia de “vidas inteiras que poderiam ser e jamais se tornam”, famílias, filhos, empregos, conquistas, produções artísticas e intelectuais que jamais se concretizam enquanto nossas vidas se perdem em prazeres tolos. Em suma, possibilidades que morrem através das horas, trocadas pela pequenez do conforto de pequenos e contínuos picos de falsas alegrias vazias que escondem vales de sofrimento profundo.

— Marcelo Jatobá de A. Jr.

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